Tati Aponte

“Todo Clichê do Amor” é bonito, porém….

Rafael Primot em “Todo Clichê do Amor” Foto: Divulgação

Rafael Primot está se destacando como um dos mais versáteis artistas brasileiros da atualidade.

É possível vê-lo atuando na TV (Deus Salve o Rei), dirigindo o excelente espetáculo “Os Guardas do Taj” e, por fim, roteirizando, dirigindo e atuando no filme “Todo Clichê do Amor“.

O filme, que será lançado no próximo dia 19 de abril nas salas de cinema, teve sua pré estreia na última segunda feira, dia 09 de abril.

Eu fui lá conferir.

Confesso que estava empolgada com o que assistiria, principalmente após o belo trabalho do diretor no teatro.

Outra coisa que me atraiu foi o nome do filme: “Todo Clichê do Amor“.

Achei um título bem legal!

Mas, embora o filme tenha uma estética muito bonita e seja bem intencionado, achei o roteiro limitado.

É clichê amar?

Clichê é tudo aquilo que, de tão utilizado, já ficou batido.

O clichê se enquadra, com perfeição, nas histórias de casamentos de classe média, nas festas infantis em buffet ou aos amores impossíveis das novelas brasileiras.

Mas Primot não quis situar sua história no convencional.

Todo Clichê do Amor” conta três histórias de amores “marginais”e insistentes.

São estas:

  • Uma prostituta (Marjorie Estiano) que deseja ser mãe;

    Marjorie Estiano em “Todo Clichê Do Amor”

  • Uma garçonete comprometida (Debora Falabella) que tem um admirador completamente apaixonado (Rafael Primot) capaz de cometer um crime para conquistá-la;
  • Uma madrasta (Maria Luiza Mendonça) que tenta cativar a enteada no velório do pai.

Não é comum  ver como estas pessoas amam, ou como amam as pessoas em situações adversas.

Por isso o universo a ser explorado pelo filme parecia ser muito rico

Ótimo nível de produção, mas e o texto?

Primot, que também faz a direção do longa, é um diretor sutil.

Meticuloso, dá para perceber que além de excelência artística do elenco,  há preocupação com cenários, figurinos, cores, sons e formas.

E a parceria com o produtor Daniel Gaggini foi bem feliz.

O filme tem plasticidade, uma beleza visual admirável.

Quanto a isso não há o que se falar, o filme é bonito!

Mas a narrativa é bem falha.

Ao entrelaçar as 3 histórias, o resultado é um filme confuso, repleto de insuficiências e senões.

O emprego excessivo de locução em off deixa o longa cansativo, e a insistência em ter diálogos reflexivos e “cults” acabam por colocar o filme em uma região muito primária.

Acredito que o público, ao final do filme, perguntará se não seria melhor que as histórias fluíssem sem se inter-relacionarem.

Mas nem tudo são opiniões negativas, o filme tem algumas cenas engraçadíssimas que valem a ida ao cinema!

Queria dar alguns spoilers, mas não vou falar nada sobre a Marjorie de peruca loira praticando sadomasoquismo com um cliente….ops, falei!

Um belo trabalho

Debora Falabella em “Todo Clichê do Amor”.
Fotos de Divulgação

Marjorie, Débora, Maria Luiza e Gilda são enormes.

E se transformam em gigantes diante de qualquer papel, assim como Eucir de Souza, João Baldasserini e o próprio Rafael Primot.

Já tive a oportunidade de vê-los em outros trabalhos e sei do valor de cada um.

E os elogios se estendem à equipe técnica! Amadurecemos muito nos últimos anos, graças a uma safra de novos profissionais que vem por aí.

Considerando que o filme é 100% independente, sem o uso de leis de incentivo à cultura, talvez o longa possa ser considerado como um bom representante desta nova maneira de se fazer cinema sem ser tão dependente dos incentivos culturais.

Sejamos razoáveis, as leis são indispensáveis para o bom andamento do mercado, mas que não sejamos tão dependentes assim.

O filme de Rafael Primot tem seu charme e uma baita audácia pela sua natureza independente.

Sem maiores pretensões.

That’s it!

 

 

 

 

 

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Todo Clichê do Amor
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