Tati Aponte

Nunca tivemos tantos talk shows na TV Brasileira

*Por Biel Elias e Tati Aponte

Fabio Porchat comanda o “Programa do Porchat” na Record. Foto: Divulgação (internet)

Talk show não é um formato novo, sabemos que ele existe na TV americana desde a década de 50.

E o sucesso do gênero deve-se a sua estrutura muito bem definida:

Apresentadores que recebem seus convidados para uma conversa leve e descontraída afim de extrair histórias ou informações interessantes.

O programa não segue o formalismo dos programas de entrevistas convencionais e por isso sua absorção é mais fácil pelo grande público.

É comum que algumas conversas sejam intercaladas por apresentações musicais, por exemplo.

No caso dos late nights, a presença de quadros de stand up são excelentes atrativos para uma audiência mais nova.

Menos importante?

Porém, isso não significa que as entrevistas sejam irrelevantes.

Elas podem seguir um caminho mais sério, dependendo do tema e da orientação da conversa pelo apresentador.

Mas, no geral, a ideia é criar um ambiente despojado e agradável, causando prazer entre entrevistador, entrevistado e espectador.

Pedro Bial comanda o “Conversa com o Bial” na Rede Globo
Foto: Divulgação

Ah, outro ponto fundamental na estrutura destes programas é a presença da plateia.

Como se fosse um termômetro, o talk show vai se moldando a reação do público.

Os risos podem dar uma empolgação maior ao entrevistador e ao convidado.

Prato cheio para os comediantes brasileiros

No Brasil, Jô Soares foi o maior apresentador de talk shows que já tivemos.

Comediante nato e dono de uma inteligência a cima da média, Jô coleciona mais de 15 mil entrevistas em sua carreira.

Impossível não reconhecer sua importância para a memória televisiva brasileira.

Ao comandar um excelente programa de entrevistas por décadas, Jô é referência para muitos entrevistadores hoje em dia.

Por isso, não é surpresa que os atuais entrevistadores de talk show sejam comediantes, como:

  • Danilo Gentili,
  • Fabio Porchat,
  • Tatá Werneck 
  • Marcus Majella.

Pedro Bial não é comediante, mas um jornalista muito conceituado que já teve passagem pelo entretenimento anteriormente, então, tem o jogo de cintura necessário para este tipo de programa.

Marcus Majela comanda o “Ferdinando Show” no canal Multishow

Mas, por mais talentosos que todos estes profissionais sejam, a abundância do formato em vários canais de TV não denota uma falta de criatividade e comodismo por parte da nossa produção nacional?

E, caso um entrevistador não tenha o perfil de comediante, ele não terá espaço na TV?

Reflexão

Formatos televisivos são ótimos porque se eles dão certo em algum país, é quase certo que ele repetirá o sucesso por aqui.

O ideia é a mesma que se aplica às lojas de franquia – é claro que podem falir, mas as chances são reduzidas.

Em termos econômicos, é um bom investimento para uma emissora.

E a fidelização de um espectador jovem (o que mais foge da TV hoje em dia – por isso a preocupação dos executivos) é quase certa.

Mas, honestamente, temos tantos profissionais com ideias originais que seria interessantíssimo caminhar com nossas próprias criações.

Até mesmo a identidade visual dos programas são parecidos:

 

Volto a dizer, todos os profissionais que mencionei são talentosíssimos, mas seria desafiador ter uma proposta de programa original.

E quem não é comediante também deve ter seu lugar nas grandes emissoras, essa ideia de que os jovens gostam apenas do formato informal é limitadora.

Quem gosta de diversidade, agradece!

 

 

 

 

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