Tati Aponte

É difícil ser mulher? Lais Bodanzky aborda o tema em “Como Nossos Pais”.

Por favor, responda-me com sinceridade, seja você do gênero que for: Você acha que é difícil ser mulher hoje em dia? Por quê?

No novo filme de Laís Bodanzky, “Como Nossos Pais“, a mulher do século XXI é o tema, a discussão e a razão do longa metragem.

Inspirada no mote “a mulher contemporânea“, Laís produziu um filme e toca neste assunto espinhoso de maneira particular.

E por que eu classifico este assunto como espinhoso? Porque ainda há muito desencontro e dúvidas quando se fala sobre o feminismo e seus efeitos na vida moderna.

Laís Bodanzy, Maria Ribeiro, Paulinho Vilhena, Anna Lara Prates e Sophia Valverde na avant premiere no Shopping Cidade Jardim em São Paulo / SP.

 

Ao abordar este tema,o filme agradou boa parte da critica internacional, além de ter sido o grande vencedor do Festival de Gramado de 2017.

Não somos mais “Como Nossos Pais”

O filme apresenta Rosa (Maria Ribeiro), uma mulher de classe média, com seus quase 40 anos, e que tenta equilibrar o casamento, a profissão, a maternidade e seus desejos particulares.

Clarice, (Clarisse Abujamra) é a sua mãe, e com uma frieza de causar espanto revela a Rosa um segredo que a perturbava há anos: “Você foi concebida em minha viagem à Cuba e o Homero (Jorge Mautner) não estava lá

De uma hora pra outra Rosa perde a referência paterna que tinha e começa a questionar as escolhas de sua vida.

As descobertas de Rosa vão colocando-a frente a frente com as escolhas que ela fez no passado e, a partir deste embate, a sua frustração vem à tona.

Maria Ribeiro e Felipe Rocha

Rosa percebe que tenta, em vão, se enquadrar em padrões ultrapassados dentro da realidade que vivemos hoje em dia, e não sabe muito bem como agir nesta situação.

Não sei vocês, mas eu já me vi várias vezes confusa com este mesmo dilema vivido pela Rosa, tentando absorver conceitos retrógrados nos dias atuais.

Sem mencionar que o machismo só reforça nossa confusão e submissão, ainda que muitos  achem que isso não acontece, né?

Por que ASSISTIR “Como Nossos Pais”

  • Clarisse Abujamra simplesmente ARRASA em todas as cenas que aparece;
  • O filme não tem reviravoltas mirabolantes;
  • O filme aborda questões machistas sim, e proporciona reflexões interessantes, como a da mãe que não quer se separar paras filhas não ficarem sem pai;
  • As imagens estão impecáveis e a luz natural é um recurso muito utilizado pela diretora;
  • O filme possui diálogos rápidos e inteligentes;
  • Ainda que o filme se passe em São Paulo, a mensagem do filme é universal, o que corrobora o sucesso de críticas que o filme recebeu, além de justificar a venda do filme para 10 países mundo a fora;
  • O paralelo que o roteirista traçou a personagem Nora de “A Casa de Bonecas” de Henrik Ibsen com Rosa é de uma inteligência impressionante! BRAVO!
  • Porque vocês vão ver Cazé Peçanha (simmm, o Cazé da MTV) em um papel dramático interessante;

Por que NÃO ASSISTIR “Como Nossos Pais”

  • Os dilemas são muito “a classe média sofre”, sabe? Relativizando alguns conflitos, tem horas que pensamos: “Mas genteeeee, é pra tanto?”.
  • O filme podia ser mais denso, inclusivo e abarcar o machismo em esferas mais populares;
  • Quando Rosa discute pelo telefone com seu patrão, a personagem tem um rompante emocional pouco verossímil. Se alguém já viu o filme, fale pra mim o que achou deste momento, tá?
  • Achei que os personagens masculinos são pouco aproveitados, servindo apenas de escada para atuação das atrizes, ainda que a interpretação de Paulinho Vilhena, Felipe Rocha e Jorge Mautner não deixem nada a desejar;

O filme é bom, viu? Pode ser um filme elitizado, mas não há como não considerar o tema abordado.

Vale a pena assistir para refletir.

E aí? Você acham que é difícil ser mulher hoje em dia? Ou que a tentativa de se enquadrar nos modelos conservadores causam angústia tanto em homens quanto em mulheres?

Vocês acreditam que as críticas e julgamentos são mais severos caem em cima das mulheres?

Deem a opinião de vocês! Quero saber!

Beijos!

 

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17 Comentários:
  1. Lidiane Malheiros

    Ainda não tinha ouvido falar. Pelo tema parece ser bem interessante.

  2. Luana Souza

    Eu acho super válido ter entretenimento focado nesse assunto, pois esses “padrões” que dizem que a mulher tem de seguir ainda precisam ser muito discutidos, assim como cabe somente a mulher decidir o que quer ser e fazer 🙂 adorei o post!

  3. Ingrid Raggio

    É um ótimo tema a ser abordado e todos pudessem saber mais e conhecer seria melhor ainda.

  4. Carina Oliveira

    Preciso assistir! Acho que filmes assim sempre nos ensina alguma coisa.

    Beijos de luz, Carina Oliveira.

  5. Thayná do Prado Simão

    Nossa, adorei! Já quero assistir!

    Resenha maravilhosa <3

  6. Isabella

    Confesso que pelo teaser do filme, achei ele meio chatinho, mas, pela sua resenha ate que deu uma mudada no que eu tinha achado antes! Parabéns pela resenha!

  7. Graciane

    Muito boa a resenha, dá vontade de assistir, vou colocar na minha lista!

  8. Juliana Alves

    Uau! Eu n imaginava que essa era a história do filme, e agora fiquei SUPER curiosa pra assistir! E, a propósito, eu AMEI seu post! Amei que vc separou os pontos positivos dos negativos. Quero muito assistir!!!

  9. Porre de Leitura e Livros

    OI, Tudo bom?
    Respondendo sua pergunta, eu acho que hoje em dia é bem mais fácil do que antes ser mulher, em termos de direito , como votar e tals, contudo em relação aos padrões que a sociedade nós impõe, esta cada vez maior.
    Beijos, Joyce de Freitas.

  10. Clarissa Bento

    Já me deixou curiosa com o filme… preciso assistir! Na verdade quando o assunto é igualdade de gêneros, todos deveriam assistir.

  11. Dayane Silva Vaz

    Achei interessante e fiquei curiosa para assistir!

  12. Livia pinheiro

    Nossa, amei sua resenha. Não estava muito afim de ver esse filme mas agora tô mudando de ideia. Valeu pelas dicas do filme. Um abraço.

  13. Ane

    Oi, Tati! Ainda não havia ouvido nada a respeito desse filme e fiquei interessada. O machismo deve ser, em minha opinião, abordado mais abertamente nos filmes e iniciativas como essa – ainda que um pouco out of the reality – são muito bem vindas. Não vou nem entrar no mérito do QUÃO difícil é ser mulher e das cobranças absurdas sobre as mulheres aqui, mas defendo o filme antes de conhecê-lo – nesse quesito. Vou assistir e volto para falar sobre isso. 🙂

    • tatiaponte

      Oi Ane, pois é! O filme trás momentos em que nós, mulheres, somos machistas e sequer nos damos conta. Ainda temos muito a caminhar, mas o filme aborda de maneira sutil o assunto. Beijos

  14. Exclusivamente

    Siim, é muito difícil. Morava em São Paulo e agora to estudando numa cidade de Minas Gerais. E tem em um pessoal aqui que é extremamente machista. As vezes vou sair, levo uma calça na bolsa pra colocar na hora de ir embora, é absurdo!

  15. Livia Pinheiro

    Ainda não foi ver mas está no meu radar…Parabéns pela resenha, mais uma vez! Arrasou!

  16. Daianny Marins

    Uau, tenho procurado cada vez mais sobre o cinema nacional e vou assistir sim, mas admito que estou com um pé atrás quanto a esse filme, como disse, é muito o que a classe média – provavelmente alta sofre – falo isso por nascer e crescer e em um bairro da zona oeste – classe D e E – e como a maioria do gênero fala vai voltado ao feminismo branco o que me deixa completamente enjoada e me faz para de assistir. Mas né, vamos tentar e espero gostar.

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