Tati Aponte

Após 50 anos, peça “Roda Viva” de Chico Buarque faz curta temporada no Sesc Pompéia

50 anos separam a primeira montagem de “Roda Viva” da peça que assisti ontem a noite no Sesc Pompéia.

Escrito por Chico Buarque em 1968, o retorno desta peça não poderia ocorrer em melhor hora.

E por quê?

Porquê nós, em pleno século XXI, nunca fomos tão parecidos com o passado como agora!

Pautas conservadoras em nome da moral e bons costumes, classe artística sofrendo perseguições infundadas, professores que não podem se expressar, boçais no poder, “Brasil acima de tudo, Deus acima de Todos“…

Ao que tudo indica, estamos entrando em um momento sombrio da nossa história.

Por isso que voltar com “Roda Viva” é fundamental!

Como na primeira montagem, a peça continua fazendo duras criticas à sociedade brasileira.

A montagem em cartaz no Sesc Pompéia é agressiva, disruptiva e linda.

Do que se trata “Roda Viva”?

Roda Viva” conta a história de Benedito da Silva (Roderick Himeros), um cantor que muda sua personalidade para agradar ao público.

Para tanto, conta com a ajuda de seu Anjo da Guarda (Guilherme Calzavara) e do Capeta (Joana Medeiros).

A crítica da peça recai sobre a indústria cultural, que cria ídolos ao seu bel prazer e necessidade.

E, também, sobre a televisão e internet que criam notícias que, se repetidas mil vezes, tornam-se verdades incontestáveis.

A peça é encenada em dois atos que contam a ascensão e queda de Benedito Silva.

Sem conseguir sair da roda viva que criou para si, ele só terá paz se puser fim à sua vida.

Caberá a Juliana (Camila Mota), sua mulher, seguir ou não com todas as farsas fabricadas.

O que eu achei da peça:

Nosso ídolo Ben Silver tem instagram: @bensilverofficial

Estruturada como as grandes tragédias gregas Roda Viva é, REALMENTE, uma obra prima.

No primeiro ato, momento em quem Ben Silver vira ídolo nacional, as críticas contra a indústria televisiva e digital são muito potentes.

O diretor aproveitou para criticar as eleições de 2018, os discursos vazios dos ídolos contemporâneos e, obviamente, o presidente eleito.

Ele, inclusive, ganhou uma homenagem durante o primeiro ato em uma cena engraçada e desesperadora:

O coro cantarolando e dançando a música do Criança Esperança com um ator vestindo uma cabeça enorme do presidente eleito e Ben Silver no centro de um palco que lembra os programas de auditório.

Esta cena JAMAIS sairá da minha cabeça!

O primeiro ato é bem provocativo. O segundo, sentimental.

Na segunda parte da peça há uma franca conversa entre Ben e seu amigo Mané.

Ben questiona a fama e se dá conta que não vive como gostaria.

Então, mergulha nas suas próprias emoções e resolve vivê-las ao lado do amigo.

Neste momento os cantores entoam a famosa canção de Chico Buarque:  Roda Viva.

Não consigo escrever o que senti vendo esta cena! Eu NUNCA vou esquecer do que vivi na noite de ontem!

Mas, voltando à peça, Ben só conseguirá se livrar do próprio peso que amarrou aos seus pés se morrer.

Capeta e Anjo ávidos por fazerem de Juliana, sua esposa, a nova mártir nacional, tentam convencê-la assumir o posto de Ben.

Mas ela vai contra tudo e não se curva ao mecanismo do entretenimento.

Recheada de opiniões e posicionamentos, é uma das melhores peças em cartaz na cidade.

Se eu achei a peça boa? Eu achei a peça fantástica!

Era uma das peças que eu mais tinha curiosidade de assistir e foi acima das minhas expectativas.

Assistam!


Curta temporada – SESC Pompéia

Até domingo, dia  09/12

Ingressos e Ficha Técnica aqui

 

 

 

 

 

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Roda Viva
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