Tati Aponte

Em 2018, no palco do teatro Oficina, Roda Viva vai voltar!

Uma das mais famosas e, também, mais machucadas peças do teatro brasileiro voltará aos palcos em 2018.

Roda Viva, a primeira peça de Chico Buarque e encenada em 1968, voltará ao Teatro Oficina após 50 anos de sua estreia.

A ideia foi de Zé Celso Martinez Corrêa, diretor da primeira e, também, da atual montagem de Roda Vida.

Infelizmente, a obra é mais conhecida pela agressão sofrida pelo elenco que pela história que conta…

O “barraco” dos intolerantes

Chico Buarque de Hollanda com Marieta Severo e outros atores durante leitura da peça “Roda Viva”.

Em julho de 1968 um grupo de 100 (CEM!!!!) pessoas do grupo Caça Comando aos Comunistas (CCC) invadiu o Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, espancou os artistas e depredou o cenário.

Conforme o censor da época, Roda Viva era subversiva e degradante.

Isso por que não respeitava a formação moral do espectador “ferindo de modo contundente todos os princípios de ensinamento de moral e de religião herdados de nossos antepassados”.

Ahhhhhhhhhhh, por favor,né?

Bom, após a baixaria de São Paulo a peça seguiu em turnê pelo Brasil, mas foi duramente reprimida pelo exército em Porto Alegre.

Depois disso, a peça deixou de ser encenada.

Mas entrou para a história como um símbolo da resistência contra a ditadura militar.

Por que Roda Viva nunca mais foi encenada?

Chico Buarque nunca mais autorizou que Roda Viva fosse montada.

Não pelas lembranças violentas, mas porque o autor achava que a qualidade da história deixava a desejar.

Das peças que Chico escreveu , Roda Viva era a que ele menos gostava.

Porém o artista mudou de ideia e autorizou que Zé Celso a encenasse, como forma de apoio ao antigo colega.

Como a disputa entre o Grupo Silvio Santos e o Teatro Oficina (gerido por Zé Celso) foi agravada nos últimos tempos pelo uso do terreno em torno do Teatro Oficina, Chico Buarque permitiu que a peça fosse remontada, em solidariedade dele pelas lutas de Zé Celso.

Em 2018 poderemos ver a peça e tirar nossas próprias conclusões!

Êêêê!

Enredo e o Coro que causou rebuliço

Marília Pêra e Rodrigo Santiago | montagem paulistana de RODA VIVA | Foto Cristiano Mascaro

Roda Viva narra a história de um um cantor que muda de nome para tentar cair nas graças do público.

Benedito Silva se transforma em Ben Silvere, uma crítica à indústria cultural e ao controle criativo que Chico Buarque sentia nas gravadoras em que trabalhou.

O coro da montagem do Teatro Oficina, que representava, segundo Zé Celso, as diferentes revoluções de pensamento e de cultura da época, é que chocou a turba conservadora.

Como os integrantes do coro interagiam, tocavam na plateia, provocavam, alguns se sentiram “atacados” pelo texto que falavam.

Nas palavras de Zé Celso, no post escrito em seu blog:

Por isso não respeitavam Palco y Platéia; tocavam nas pessoas do Público como no Carnaval, no Candomblé, na Umbanda… enfim, TRAZIAM DE VOLTA DEPOIS DE MILÊNIOS O CORO DA TRAGÉDIA GREGA”.

Olha, só quem assistiu à peça pode falar o que ela provoca!

E eu não perco esta montagem mas de jeito nenhum!

Beijos!!

 

 

 

 

 

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