Tati Aponte

RENT: O sucesso do musical é plenamente justificável

RENT entrou em cartaz pela primeira no Brasil em dezembro do ano passado.

Após próspera temporada, a peça retorna aos palcos paulistanos com uma produção totalmente independente e escorada no estrondoso sucesso de crítica e público.

O musical, de autoria de Jonathan Larson e que conta um ano da vida de oito jovens que moram em Nova Iorque durante a década de 80, conquistou um séquito de fãs brasileiros que assistem, divulgam e fortalecem RENT nas redes sociais.

Segundo o ator e produtor Bruno Narchi, as redes sociais foram fundamentais para o retorno do espetáculo, que agora pode ser visto no majestoso Teatro FAAP.

Conversei com o Bruno e a Bel Gomes antes da reestreia, que aconteceu na terça feira da semana passada.

Abaixo, transcrevo o que senti ao ver RENT e o que extraí da conversa que tive com os produtores.

 Por que RENT cativa o público jovem?

Sabe aquela sensação que adolescente tem de achar “por que pra mim tudo é mais difícil do que pro fulano?“.

Então, para o pessoal que viveu na década de 80 este questionamento não era só uma intuição, não. A barra que eles passaram foi bem pesada mesmo!

E RENT canta este momento de maneira impecável.

Amor, desemprego, sexo, dúvidas, violência, preconceito, emoções, morte…Tudo isso é abordado nas duas horas da peça musical.

Fonte: Caderno 2 / Estadão. Foto: CAIO GALLUCCI

O desemprego ainda é uma realidade, mas no século 21 nós estamos bem mais calejados que os jovens americanos oitocentistas, que viram esta realidade pela primeira vez após anos de um próspero crescimento econômico.

Nos anos 70 os jovens, influenciados pelo movimento Punk, passaram a questionar o modelo exploratório capitalista, exigindo a implementação de leis que evitassem os abusos corporativos.

Pois bem, a saída encontrada pelas empresas foi implementada na década seguinte.

Chama-se Globalização o nome fofo que as multinacionais deram pra justificar a implementação de sedes em países subdesenvolvidos e utilizarem a mão de obra barata destes lugares, deixando milhares de jovens americanos desempregados…

Já as drogas criaram um número elevado de viciados, o que tem relação direta com o aumento da violência das grandes cidades;

O sexo livre, tão propalado e vivido desde o movimento hippie dos anos 60, sofreu uma interrupção abrupta.

A AIDS caiu como uma bomba na liberdade sexual  conquistada e a morte nunca foi tão presente como para os jovens desta geração.

Os jovens se identificam com os problemas de RENT

São tantas problemáticas apresentadas durante a peça que é óbvio que o musical chamaria atenção dos mais jovens.

Junta-se a todos os itens acima mencionados um figurino fantástico, um elenco mestiço, letras musicais de qualidade impecável, uma drag queen apaixonante, beijos entre pessoas do mesmo sexo, pronto!

Todos os ingredientes para um sucesso retumbante estão presentes em RENT!

Os fãs da peça, que seguramente não encontram na nossa grande mídia ícones que representem a diversidade de maneira satisfatória, saem em êxtase com o que veem no palco.

Não por outro motivo que o público abraça e leva para vida os personagens de RENT.

Segundo o Bruno Narchi e a Bel Gomes, existem perfis nas redes sociais feitos pelos fãs para cada personagem da peça… Se depender deste público, eles vão querer que RENT fique mais e mais em cartaz.

Quem ganha somos nós, é claro!

Por que ASSISTIR Rent?

  • Vamos falar de prêmios? Vamos! A peça é vencedora de 4 Tony Awards ( caso você não saiba, o Tony é o Oscar do Teatro Americano, tá?) incluindo melhor musical,melhor texto, melhor trilha original, e do prêmio Pulitzer do Teatro;
  • Nós temos indicados aqui também! Thiago Machado esta indicado como Melhor Ator do Prêmio Bibi Ferreira, Diego Montez indicado ao Prêmio Reverência de Melhor Ator Coadjuvante e Priscila Borges indicada ao Prêmio Reverência de Melhor Atriz Coadjuvante;
  • As letras das músicas em português são lindas;
  • É muito bonito ver a relação de Angel e Collins;
  • Benny é o personagem que liga RENT ao público maduro, pois é o único que faz a escolha que separa “os meninos dos homens”. Pra mim, um dos melhores personagens da peça;
  • A banda que toca a trilha da peça é MARAVILHOSA!
  • E os figurinos, gente? O que são estes figurinos?
  • Mimi, minha musa!
  • A peça esta em cartaz de terça e quarta feira! Muito alternativo!

Por que NÃO ASSISTIR Rent?

  • Se você não gosta de peças emotivas, não vá! O papo de “o amor é capaz de mudar o mundo” talvez não te comova;
  • São duas horas de peça, com um intervalo no meio e tooodo cantado (afinal, estamos falando de um musical), se você não curte, fique em casa;
  • É modernoso demais. Penso assim, meu pai tem 75 anos, ama teatro e musical, mas acho que ele ia ficar meio indiferente a RENT, sabe? Ele gosta de ver o musical da Rádio Nacional, do Chacrinha, etc…
  • Se você é uma pessoa que tem problemas ou não se sente confortável em ver beijo de pessoas do mesmo sexo, por favor,não vá! Evite o seu aborrecimento e o aborrecimento de quem gosta da peça 😉
  • A peça é de terça e quarta feira, se você não está muito acostumado a sair nesses dias pode ficar meio incomodado com esta peça fora dos dias tradicionais (sexta, sábado, domingo);

Eu gostei da peça, bem mais do que eu imaginava que ia gostar!

E fiquei feliz em ter sido tão bem recebida pelo elenco! Tiramos até esta fotinho!

Então, programem-se! E prestigiem uma das peças mais conhecidas do mundo!

Beijos!


RENT

Texto: Jonathan Larson
Versão: Mariana Elisabetsky
Direção: Susana Ribeiro

Ingresso: R$ 50 (meia R$ 25) e R$ 80,00 (meia R$ 40,00)

Dias e horários:
Terças e quartas-feiras às 20h
Indicação: 14 anos
TEATRO FAAP – Rua Alagoas, 903 – Higienópolis – São Paulo

Elenco:

Bruno Narchi – MARK

Thiago Machado – ROGER

Corina Sabbas – MIMI

Mauro Sousa – BENNY

Diego Montez – ANGEL

Guilherme Leal – COLLINS

Priscila Borges – JOANNE

Giovanna Moreira – MAUREEN

Ensemble Feminino: Caru Truzzi, Livia Graciano, Zuba Janaina e Raquel Paulin (swing)

Ensemble masculino: Arthur Berges, Igor Miranda, Kaíque Azarias, Fábio Galvão e Thiago Ledier (swing)

Produtores Associados: Bruno Narchi e Bel Gomes

 

 

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