Tati Aponte

Para ser empoderada a mulher precisa ser sexualizada?

Anitta lançou HOJE o clipe da música “Vai Malandra“, que foi gravado em agosto no Morro do Vidigal lá no Rio de Janeiro.

Eu, Tatiana, gosto da Anitta,tá?  Sério, eu gosto dela!

Gosto da sua história de vida e de como lutou para ter seu lugar ao sol cantando funk, um gênero musical tão marginalizado, machista e misógino.

Foram anos e mais anos de funks que empregavam termos como “cachorras”, “popozudas”, “piranhas” e tantos outros, para se referirem às mulheres, que quando a cantora chegou falando de suas vontades, um novo mundo se abriu.

fotos de divulgação

Anitta não abaixou a cabeça para as críticas e construiu sua carreira com muita luta e esforço.

Por isso que eu gosto da cantora.

Que Anitta hoje é um símbolo de mulher “empoderada” não há dúvidas.

Com suas músicas, Anitta fala de uma mulher que sabe o que quer e que manda na situação.

 

É só prestar atenção na letra de BANG, por exemplo:

“Bang (bang), dei meu tiro certo em você
Deixa que eu faço acontecer
Tem que ser assim pra me acompanhar, pra chegar
Então vem, não sou de fazer muita pressão
Mas não vou ficar na tua mão
Se você quiser não pode vacilar
Demorar”

Pra algumas pessoas suas músicas podem não ter muita relevância, no entanto, o número de mulheres impactadas pelo fenômeno Anitta em um país como o nosso, é muito grande.

Mas, independente de gostar da cantora, o clipe de hoje me trouxe alguns questionamentos.

Por que fiquei reflexiva com o clipe “Vai Malandra“?

Quando o empoderamento feminino vira um produto

Com o passar do tempo, Anitta virou um produto da indústria do entretenimento, e por isso mesmo, “vítima” de uma engrenagem bastante oportunista.

Claro que a “vítima” aqui deve ser compreendido entre mil aspas, né?

Anitta não está sofrendo, muito pelo contrário, ela esta cada dia mais linda, rica, plena e satisfeita.

Mas por que estou falando, então, que Anitta é vítima?

Porque a mulher “poderosa” que ela representa é, propositalmente, distorcida para se enquadrar em  conceitos machistas e opressores.

Para boa parte da indústria do entretenimento, o movimento feminista e o empoderamento das mulheres é um filão interessante de ser explorado.

No entanto, para esta mesma indústria o empoderamento feminino resume-se APENAS ao empoderamento sexual das mulheres.

A mulher que afirma suas vontades, que vai atrás de sua felicidade diariamente no trabalho, em casa e nas relações com seus parceiros (parceiras) não importam.

Mulheres com opinião não são interessantes.

E estimular apenas o empoderamento sexual das mulheres com fins econômicos é muito cruel, ignorante, retrógrado e arbitrário.

Empoderar não é objetificar

E aqui reside minha critica ao novo clipe de Anitta.

Ao colocar Anitta de maneira hiper sexualizada em “Vai Malandra“, o mercado distorce os conceitos de “meu corpo, minhas regras” que as mulheres tanto defendem, para mostrar uma mulher altamente objetificada.

A própria cantora pode justificar seu trabalho falando que isso é ser uma mulher “dona de si”, dona do próprio corpo e da suas vontades, afinal este sempre foi mote.

Mas o que podemos perceber, na realidade, é que o mercado tomou posse de um discurso para utilizá-lo com outro propósito,que em nada tem a ver com fortalecer a mulher na sua essência.

Sei que não estou falando nenhuma novidade, mas achei oportuno tocar nesse assunto.

E você, o que acha disso tudo?

Beijos!

 

 

 

 

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7 Comentários:
  1. Kadu Sartori

    Boa noite Tati, seu posicionamento e muito coerente ! Concordo é uma triste realidade e q o que mais vende é a erotização … mais triste ainda é saber q milhares de crianças e adolescentes se inspiram e espelham nela, cadê a responsabilidade dela quanto formadora de opinião ? Bj grande !

  2. Erica Oliveira

    Olha, eu sinceramente não consegui ver o clipe todo e mesmo não sendo fã de Anitta fiquei mega decepcionada com letra, clip e tudo.
    Super concordo com você e seu ponto de vista, e fico me perguntando se tudo o que ela defendeu até agora como empoderamento também não foi mídia.
    Eu fico realmente muito triste em ver que pessoas com tanto prestígio conseguem defender esse empoderamento sexual e só ele.

  3. Évelyn

    Concordo plenamente com as suas colocações, antes de ver o clipe só de ver as fotos eu já estava decepcionada, depois do clipe então…

  4. Dayane Frazão

    Eu gosto da Anitta, mais não sou uma fã, penso que ao longo dos anos, são poucas artistas que se valoriza apenas pelo talento, mais vendo o andamento do lindo, essa é a união alternativa para sucesso e dinheiro, gostei do seu posicionamento, ótimo post

  5. lua

    Oi! eu fiquei pensando nisso tbm e resolvi ler outras opinioes e cheguei aqui. Mas no meio disso encontrei algo que fez sentido também: Sobre a hipersexualização: ainda estamos falando de funk. Que é um produto cultural, como qualquer outro. A cultura é um produto do repertório de um retrato da sociedade. A Anitta é responsável por pegar vários desses retratos e fazer uma colagem absurda de inteligente e bem feita. A hipersexualização que estão falando precisa ser discutida com muito caldo de conhecimento de causa e ativismo no morro. O biquíni de fita isolante e o banho de sol com óleo em grupo é de fato uma prática cultural dos morros, e isso não é de hoje. Acho que o clipe é uma vitória na representatividade porque a Anitta fez questão de gravar com pessoas da comunidade, sem maquiar nada com modelos padrãozinho e etc. Além disso, o corpo masculino também é sexualizado no clipe. Aparecem vários caras sem camisa com close nos tanquinhos e nas sungas… achei tudo isso bem reflexivo. bjs!

    • tatiaponte

      Oie! Concordo com o que vc diz, mas o ponto do meu texto não é discutir o funk ou o biquini de isolante, que eu tb entendo como vc! Meu ponto é: porque apenas o empoderamento sexual é mais divulgado? É este meu ponto.
      Beijos

  6. Zulmira Altafim

    Eu Concordo com as suas colocações, por ser uma cantora muito influenciadora,e muitas crianças amam ela,muita erotização.

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