Tati Aponte

A peça “Os 3 Mundos” propõe uma reflexão sobre o papel dos líderes governamentais e o sentido de nossas vidas

O espetáculo “Os 3 Mundos“, em cartaz no Centro Cultural FIESP até 16 de dezembro, apresenta ao público um teatro dinâmico, criativo, inteligente e com um enredo que dialoga muito bem com a nossa atualidade política.

Foto blog Sarau, Luau e Escambau

Afirmo ser um teatro dinâmico e criativo pela linguagem multimídia empregada:

Um espetáculo que mescla teatro, cinema, HQ e Kung-Fu

Inteligente, pois, além de prender o espectador pela beleza visual, consegue tocar em assuntos de que estão a flor da pele de qualquer sociedade moderna, em especial, o Brasil pós eleições.

E se a peça segura a atenção do espectador do inicio ao fim, todos os méritos devem recair sobre os autores Fábio Moon e Gabriel Bá.

Eles criaram um enredo envolvente, provocador e reflexivo em uma “ficção científica” teatral.

“A história real é aquela que todo mundo conhece, repete e confia”

Os 3 Mundos” poderia ser mais uma como tantas outras peças que ficam no meio do caminho entre sugestões pretensamente sérias e inovações cênicas.

Mas a história de um mundo pós-apocalíptico devastado por guerras narrado como se fosse uma história em quadrinhos entrega resultado acima da média ao público paulistano.

Foto blog Sarau, Luau e Escambau

Foto blog Sarau, Luau e Escambau

Na peça, Lachesis (Paula Picarelli) lidera o Grupo da Serpente, uma grande família de praticantes de Kung Fu que habita as ruínas das estações de metrô e vive sob dominação total de sua líder.

Ao deixar este submundo em busca de um novo membro, o grupo se confronta com o Mundo das Máscaras, liderado por Acônito (Thiago Amaral) que, do alto de sua torre, comanda os membros do seu grupo com mão de ferro.

O embate destes dois líderes colocam um diante do outro, tal como se estivessem na frente de um espelho.

E ainda que Acônito tenha um discurso mais agressivo e Lachesis, mais religioso (amoroso), no fundo ambos são farinha do mesmo saco.

Utilizam de artimanhas, discursos vazios e força bruta para permanecerem no poder

Motivados pelas suas verdades, ambos caem no totalitarismo que cega e brutaliza. 

Teríamos nós outra alternativa?

Vale a pena assistir “Os 3 Mundos”?

A experiência é muito prazerosa.

Foto de Ligia Jardim

O enredo, como já disse acima, empolga.

E a encenação é um show a parte, com recursos audiovisuais que estimulam o público positivamente.

Os movimentos coreografados de Kung Fu dão beleza e ritmo à peça, tirando-a de uma encenação óbvia.

A sonoplastia também agrada, assim como iluminação e figurinos.

A peça não é de difícil compreensão, mas é exigente, ok?

Tenha isso em mente e bom espetáculo!


Ficha Técnica
História original: Fábio Moon e Gabriel Bá | Idealização: Paula Picarelli | Dramaturgia da encenação: Paula Picarelli e Nelson Baskerville | Produção: Daniel Gaggini | Assistente de Direção: Thaís Medeiros | Elenco: Paula Picarelli, Thiago Amaral, Tamirys Ohanna, João Paulo Bienemann, Alice Cervera, Artur Volpi, Rafael Érnica e Luciene Bafa (A atriz Paula Picarelli será substituída pela atriz Bruna Longo nas apresentações dos dias 13 e 20/09) | Ilustrações: Guazzelli | Projeção e Animação: Bijari | Música Original: Marcelo Pellegrini | Cenário e Iluminação: Marisa Bentivegna | Figurino: Marichilene Artisevskis | Coreografia e Preparação de Movimento: Luis Pelegrini | Direção de Produção: Katia Placiano | Design Gráfico: Dgraus | Adereços: Marcela Donato,Tetê Ribeiro e Silas Caria | Artista Residente: Luiza Magalhães | Fotos: Ligia Jardim | Direção Geral: Nelson Baskerville | Equipe Técnica de Arte Cênicas Sesi-SP: Miriam Rinaldi, Flavio Bassetti, Anna Helena Polistchuck e Daniele Carolina L. Ushikawa | Realização: Sesi-SP

 

Ingressos – AQUI

Summary
Review Date
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Os 3 Mundos
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2 Comentários:
  1. Marconi

    Tem negros na peça?

    • tatiaponte

      Simmm!!!! A atriz Tamiris O’hanna 😉 está sensacional!