Tati Aponte

“O Dilema das Redes” e o Capitalismo de Vigilância.

Foi tão grande a repercussão de “O Dilema das Redes” nos últimos dias que o documentário já é um dos mais vistos no Netflix em 2020.

(Divulgação/Reprodução)

Mas não é de se estranhar este sucesso, afinal o documentário mostra como as redes sociais tocam em todas as esferas da vida moderna e, embora pareça que temos completo domínio sobre as nossas atitudes no mundo virtual, isso pode ser uma grande armadilha.

O Capitalismo de Vigilância

Enquanto alguns ex-funcionários das mais expressivas BigTechs do mundo (Facebook, Instagram, Twitter, YouTube, Snapchat, Pinterest, TikTok, LinkedIn) são entrevistados, duras verdades são apresentadas e escancaram para nós que estas redes são capazes de tudo para ter aquilo que é mais precioso para seu negócio: a atenção do usuário.

Like, check in, marcar amigos em fotos, “digitando…” , são alguns recursos desenvolvidos exclusivamente para aumentar a retenção dos usuários nas redes sociais.

Assim, um complexo e sofisticado sistema de análise de dados é desenvolvido para prender o usuário naquela plataforma pelo maior tempo possível e assim, vender sua “atenção” aos anunciantes e ao mercado publicitário.

Oras, se vale tudo para manter o usuário online, estas redes são capazes de criar realidades personalizadas para cada um, sugerindo e indicando conteúdos que os prendam cada vez mais em suas plataformas.

A cada “like” eu tenho o meu reconhecimento

E isso é muito sedutor, pois o usuário verá um mundo perfeito apenas pela perspectiva daquilo que acredita e, de outra parte, seu ego vai sendo agraciado a cada like, compartilhamento e engajamento que seu conteúdo proporcionou.

De outro lado, este cenário também facilita a disseminação de fake news, discurso de ódio e preconceitos com uma naturalidade aterrorizante.

No documentário há uma paralelo entre as propagandas do Estado Islâmico com as manifestações dos supremacistas brancos dos Estados Unidos que achei bem pertinente.

Quando toleramos um absurdo, abre-se precedente para outros e assim normalizamos a barbárie.

Nada disso é impune.

O documentário é denso, reflexivo e assustador também. Demonstra que há muito ainda para se explorar sobre este assunto.

O que acharam?

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