Tati Aponte

Missão Francesa em fotos na Zipper Galeria

Zipper Galeria realizou na noite de ontem, 20 de julho de 2017, a abertura de duas exposições fotográficas bem interessantes:  “Missão Francesa” e “de onde emergem os nervos“.  Ambas estão muito boas, tanto que falarei delas separadamente.

Neste post falarei sobre a exposição “Missão Francesa” de André Penteado, ok?

Vocês se lembram do que foi a “Missão Artística Francesa“? Já esqueceram,né? Caiu no vestibular, viu?

Desabafo sobre o ensino no Brasil

Se eu tenho um inconformismo bem definido nesta vida é com a precária estrutura educacional deste país. Decoramos matérias para o vestibular, mas é só entrar na faculdade que no dia seguinte esquecemos de tudo, não é?

O interesse é despejar conteúdo para passar de ano ou no vestibular, sem preocupação com o aprimoramento crítico do aluno.

Este sistema não reflexivo tem um efeito perverso na sociedade.

Afirmo que este desdém educacional é diretamente proporcional a falta de interesse artístico por grande parte da população brasileira.

Se esta mesma população sequer se reconhece em sua própria história, pra que ir a uma exposição? Ler um livro sobre o Brasil? Ver um filme nacional?

Ah, lembrem-se que eu não estou falando de escolas particulares, tá?

Se você é assim como eu, alguém que tem/teve seus estudos pagos, nós apenas fazemos parte de uma porcentagem que se diz privilegiada.

E se pra nós, que tivemos este acesso, é complicado lembrar sobre a missão artística francesa no Brasil, imagine como é pra quem sofre com a falta de estrutura escolar Brasil adentro?

Pois é!

Sobre a Missão Francesa

Voltando à exposição, vou situar todos historicamente sobre o que se trata:

Em 1808 Dom João VI saiu de fugido de Portugal e trouxe para o Brasil a nossa querida Corte Portuguesa.

Obra de Nicolas-Antoine Taunay

Objetivando constituir uma sociedade culta ao redor da Corte, Dom João VI criou, no Rio de Janeiro, diversas instituições como:

  • Biblioteca Nacional;
  • Jardim Botânico;
  • Escola de Anatomia, Medicina e Cirurgia;
  • Academia Real Militar, etc…

Nesse contexto, em 1816, com a queda do regime Bonapartista lá na França, alguns artistas franceses que apoiavam o antigo governo ficaram sem trabalho.

Há controvérsias sobre como rolou essa vinda da Missão Artística Francesa. Alguns alegam que foram os portugueses que convidaram estes artistas, outros que foram os próprios artistas que se juntaram e pediram pra vir para o Brasil.

Obra de Jean Baptiste Debret

Seja qual tenha sido a motivação, estes artistas tinham a incumbência de dar vida à Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios.

Como o seu próprio nome indica, a instituição foi concebida para promover tanto o ensino de Belas Artes quanto o de ofícios mecânicos (“bora” modernizar o Brasil que era praticamente semi feudal).

Quem liderou este movimento foi o artista Joachim Lebreton, e junto com ele vieram vários artistas, sendo os mais conhecidos o Jean Baptiste Debret, pintor histórico, Nicolas-Antoine Taunay, pintor de paisagens e cenas históricas.

A Exposição

Visitantes apreciando as fotos de André Penteado durante a abertura da exposição “Missão Francesa

O André Penteado é um artista que trabalha, principalmente, em fotografia.

Sua obra é centrada na ideia de que a fotografia é uma das mais interessantes ferramentas para discutir questões mundanas.

Ele vem desenvolvendo projetos que investigam temas da história brasileira – como a Cabanagem e a Missão Francesa – e ambas originaram os livros fotográficos de mesmo nome.

Ontem, durante a abertura da exposição, estava rolando também a noite de autógrafos! Ihihih!

Esta mocinha é Julia Graça Couto Gomes Ferreira, descendente de Nicolas -Antoine Taunay

Em busca dos vestígios da Missão Francesa, Penteado percorreu as ruas cariocas durante dois anos.

Ele registrou desde locais emblemáticos, como o Museu Nacional de Belas Artes, onde está grande parte da produção do período, até personagens associados de alguma forma ao movimento, como os descendentes do pintor Nicolas-Antoine Taunay.

Há fotos com os  estudantes da atual Escola de Belas Artes (EBA) da Universidade Federal do Rio, filhos diretos da Missão Artística do início do século XIX.

Enfim, a exposição está muito bem montadinha, com fotos lindas e com muita informação histórica para deitar e rolar.

Sobre a Zipper Galeria por Tati

E quem não conhece Zipper Galeria é um lugar bem legal, viu? Fica bem localizada e seu espaço amplo permite que as fotos fiquem expostas de maneira impactante.

Vira e mexe bons artistas brasileiros expõe suas artes por lá e de graça, gente!

Sugiro que vocês peguem um sábado e passem por lá, depois até rola comer nos restaurantes que tem lá perto, ou mesmo tomar um café na Galeria dos Pães, que dá pra ir a pé!

Espero que visitem e gostem da experiência!

Eu em frente a foto da obra Alegoria do Império Brasileiro, na Zipper Galeria

Até 16 de agosto.

Beijos!


 

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