Tati Aponte

“Minha Fama de Mau” relata uma saudosa época da música brasileira

*parceria com o site Blahzinga!
*autoria de Renata Teófilo

O diretor carioca Lui Farias traz para as telas a história da vida e carreira de Erasmo Carlos, num período que abrange o fim dos anos 50 até o começo dos anos 70.

O cantor viveu seu auge como performer durante a transmissão do programa Jovem Guarda na TV Record, juntamente com seus companheiros de palco Roberto Carlos e Wanderléa.

Minha Fama de Mau começa exatamente nesse momento de auge, com Erasmo contando que não acreditava ter conseguido chegar ao topo.

Chay Suede é Erasmo Carlos em “Minha Fama de Mau”.
Foto: Divulgação

Voltamos, então, para os anos 50 no subúrbio do Rio de Janeiro e conhecemos um cantor adolescente que se mete em  confusões junto a seus amigos.

A vida deles muda quando eles ouvem pela primeira vez o rock and roll de Elvis Presley.

A partir de então, a turma só quer saber de montar um conjunto de rock e viver de música.

Um tremendo amigo: Tim Maia

Um dos integrantes do grupo é um gordinho irreverente que entrega marmitas e que é o responsável a ensinar Erasmo a tocar seus primeiros acordes no violão.

O ator Vinicius Alexandre rouba a cena atuando com talento ao interpretar o jovem Tião Maia, que odeia o apelido que Erasmo lhe dá: Tim.

Essa parte do filme tem um ritmo frenético com narração em off do biografado, com Chay Suede fazendo uma voz bem semelhante a do cantor e falando diretamente com a câmera.

Ainda nessa parte, o diretor usa o recurso de transformar algumas passagens em histórias em quadrinhos, o que deixa o público bem envolvido na trama.

Um ponto positivo é a utilização de imagens de arquivo da época e boas reproduções de propagandas, o que situa bem a ação.

Uma necessidade: trabalhar com música

Depois da passagem do cantor Bill Halley pelo Rio de Janeiro, Erasmo se convence de que precisa seguir a carreira musical e, para isso, arruma um emprego como assistente de Carlos Imperial, que tinha um dos pioneiros programas de rádio sobre rock no país.

Foto: Divulgação

Imperial foi uma figura quase mitológica dentro do cenário da música brasileira: ele foi o responsável por lançar muitos cantores jovens e fazer qualquer tipo de malandragem para ficar em evidência.

O ator Bruno de Luca até tenta, mas é difícil dar vida a uma figura tão marcante!

Por causa de Imperial, Erasmo vai conhecer Roberto Carlos e Wanderléa.

Roberto e Erasmo vão ter uma empatia logo de cara, fazendo com que os dois se tornem parceiros musicais, enquanto ainda estão tentando subir os degraus para o sucesso, que, quando chega, somos transportados para um tempo em que a música que eles faziam ditou as paradas e os costumes da juventude brasileira, com roupas, acessórios, revistas, produtos de todos tipos possíveis baseados no trio que comandava a Jovem Guarda.

Mais um acerto do filme é mostrar esse marketing todo com imagens originais dos cantores ilustrando as revistas e comerciais.

Nem tudo é pra sempre…

Foto: Divulgação

Como nem tudo é para sempre, o programa chega ao fim e Erasmo se vê perdido entre as mudanças do fim dos anos 60, e acaba enfrentando um período de ostracismo e depressão que atingem em cheio sua carreira.

Nesse momento, falta um pouco de profundidade na interpretação de Chay Suede, que vinha muito bem fazendo o Erasmo boa pinta e audacioso da primeira fase, mas como esse trecho ruim não é muito grande no longa, isso acaba não prejudicando o conjunto todo.

O elenco, aliás, está bem escalado, com destaque para Isabela Garcia fazendo a mãe de Erasmo e Bianca Comparato, que faz todas as personagens femininas que tem interesse romântico em Erasmo, cada uma representando uma mulher até chegar em Narinha, que foi o grande amor da vida dele.

Malu Rodrigues faz uma Wanderléa atirada e mais ousada do que a imagem de ternurinha que foi construída para a cantora, e Gabriel Leone é o arquétipo do bom moço na pele de Roberto Carlos.

A direção de arte, figurinos e pós produção de Minha Fama de Mau são impecáveis com a recriação de interiores de uma casa humilde dos anos 50 e sua vizinhança, o ambiente dos bastidores das recém-criadas emissoras de televisão no país e os exteriores das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Porém, como não poderia deixar de ser, o elemento mais importante do filme é a música.

Os próprios atores regravaram os maiores sucessos de Erasmo, Roberto e Wanderléa, dando um frescor para as gravações dos anos 60, interpretando as

músicas com reverência e um toque pessoal que funciona bem e dá vontade de cantar junto dentro do cinema.

Diferente do que acontece na maioria dos filmes, as músicas nas apresentações de palco são mostradas de forma integral, empolgando não só a plateia dentro do filme como no cinema. Quando o longa termina, dá vontade de fazer uma playlist com as canções e ficar escutando, e também de ver uma boa cinebiografia das outras metades do trio: Wanderléa e Roberto.

Minha Fama de Mau estreia quinta na próxima quinta-feira, 14/02,  e foca muito bem na parte musical da carreira de Erasmo, com raros momentos melodramáticos, garantindo que os jovens que não conhecem possam “descobrir” esse artista e seu repertório, e ainda poder levar os avós e pais ao cinema para relembrar o ambiente e o rock despojado dos anos 60.

 

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