Tati Aponte

“Jardim das Cerejeiras” do Grupo TAPA no Teatro Aliança Francesa

Na última sexta feira, 11 de janeiro, estreou a montagem do Grupo TAPA para o clássico “O Jardim das Cerejeiras” de Anton Tchekhov .

O teatro escolhido foi um dos melhores de São Paulo, o Teatro Aliança Francesa, no centro da cidade.

À primeira vista tudo assinalava para uma noite inesquecível: teatro bom, peça renomada com excelentes atores no palco.

No entanto, foi uma noite regular.

Nem sempre um bom texto faz um bom espetáculo

O Grupo TAPA é uma referência no cenário teatral brasileiro. Que são bons, não há dúvidas.

Foto de Ronaldo Gutierrez/Divulgação.
Sergio Mastropasqua, Clara Carvalho e Brian Penido Ross

Mas até mesmo os bons estão sujeitos às circunstâncias da “geografia da vida“.

E o que seria isso? Bom, que a vida também possui relevo: vales e cumes.

O Jardim das Cerejeiras” está no vale das produções já realizadas pelo Grupo TAPA.

A história da família aristocrata que vê seu mundo de privilégios ruir diante dos seus olhos, ao mesmo tempo que ascende no horizonte uma nova classe social é um clássico inconteste do dramaturgo russo.

E diferente das outras peças de Tchekhov, “O Jardim das Cerejeiras” é uma comédia que contém ácidas críticas à antiga elite russa e à novata burguesia.

Além disso, a humanidade presente no texto de Tchehkov está nas mãos de Liubov Andréievna Ranévskaia, personagem defendida pela competente Clara Carvalho.

Liubov não vê apenas sua vida de nobrezas sumir.

Soma-se a isso uma vida amorosa fracassada e a morte de seu filho em uma tragédia particular.

Durante a história os contrapontos entre aristocracia x burguesia possuem mais força nos personagens de Leonid Andreieveitch Gaiev  (Brian Penido Ross) e Boris Borisovich Simeonov-Pishchik ( Sergio Mastropasqua).

Como pode-se observar a história está cheia de elementos cativantes, a peça boa.

Mas o resultado no Aliança Francesa deixou a desejar.

Vagarosa e sobrecarregada, a peça deixa a desejar

Sem ritmo, a peça cansa!

A montagem que assisti está longe de ser perfeita.

Clara Carvalho e Brian Penido Ross (Ronaldo Gutierrez/Divulgação)

E até em momentos cômicos, arrancou poucas risadas da plateia.

Honestamente, eu esperava mais brilhantismo no desempenho dos atores.

E, embora feita com carinho, entendo que a falta de compasso seja um problema de direção.

Ainda que Eduardo Tolentino seja um diretor fantástico, ele não conseguiu, com esta peça,  imprimir a tarimba no palco.

Nada que macule a história de sucesso do Grupo TAPA, afinal a seriedade de sua história já o coloca entre um dos melhores grupos nacionais.

Espero a próxima montagem com um repertório mais sedutor.


FICHA TÉCNICA

Autor: Anton Tchekhov | Diretor: Eduardo Tolentino de Araújo | Elenco: Brian Penido Ross, Clara Carvalho, Anna Cecília Junqueira, Gabriela Westphal, Sergio Mastropasqua, Guilherme Sant’Anna, Natália Beukers, Adriano Bedin, Mariana Muniz, Paulo Marcos, Alan Foster, Alexandre Martins, Riba Carlovich e Zécarlos Machado. | Figurinos: Rosângela Ribeiro | Iluminação: Nelson Ferreira | Designer Gráfico: Mau Machado | Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli | Fotos: Ronaldo Gutierrez | Produção Executiva: Ariel Cannal |

Ingressos aqui

 

 

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O Jardim das Cerejeiras
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