Tati Aponte

Inclusão e Diversidade na TV Aberta

Por Tati Aponte

*Colaboração do estagiário Gabriel Elias

Verdade seja dita, a tv aberta brasileira, há um bom tempo, busca colocar atores negros em papéis de destaque em suas produções.

E quando eu digo “destaque“, são funções em que o ator NÃO representa estereótipos negativos ou estigmas inevitáveis (escravos).

Algumas destas tentativas foram felizes, outras nem tanto.

C’est la vie!

Mas todas tiveram sua importância para a mudança que vemos hoje nas produções nacionais.

Ainda há muito a ser feito? SIM!

Acredito que mais espaços devem ser ocupados por atores que representamminorias“.

Que de minoria não tem nada,né?

Em um país como o Brasil, onde todos somos miscigenados, é até engraçado pensar em “minorias”, como se houvesse uma raça 100% pura por aqui.

Mestiços, indígenas, latinos, orientais, negros…Todos merecemos nosso espaço!

Mas, voltando, um grande passo já foi dado, e isso é muito bom!

Havia diversidade?

A propagação de ideias preconceituosas pelos programas de TV contribuiu para a manutenção de um ciclo vicioso.

Este ciclo perpetuou conceitos que já estavam anacrônicos aos dias atuais.

Por exemplo, nunca foi justo colocar atores negros para interpretarem APENAS papéis secundários.

Lázaro Ramos e Taís Araújo – protagonistas de Mister Brau

De certa forma, a TV propagava um racismo inconsciente, pois o negro sempre seria um personagem periférico – tanto na ficção quanto na realidade.

Um ator negro não tinha nenhuma história própria, ou uma posição de destaque naquela obra ficcional.

Frequentemente, seus papéis eram de amigo do protagonista (ou o empregado de confiança), bandido ou, quando em novelas de época, um escravo que, dependendo da história, poderia ganhar um pouco mais de destaque.

Mas era apenas isso.

Inclusão e Visibilidade na TV

Por favor, não entenda diversidade apenas como um ato “cumprir uma cota“, porque o assunto é muito maior que isso.

Por diversidade devemos compreender que estas “minorias” serão representadas no mesmo grau de importância que os demais personagens.

E que seus textos refletirão a realidade deste grupo, e não uma reprodução do que o establishment entende ser o correto.

“Mister Brau” é um exemplo perfeito de um programa que fala sobre diversidade com comédia.

Lázaro Ramos e Taís Araújo dão o tom perfeito a um programa que mostra os problemas que um casal negro e rico vive no seu dia a dia.

O fato de serem ricos não os fazem imunes ao racismo, por exemplo. É um programa bem interessante! E engraçado!

Heslaine Vieira – Uma das protagonistas de Malhação – Viva a Diferença

O mesmo cuidado com a abordagem de temas específicos foi empregada em “Malhação – Viva a Diferença“.

O núcleo de atores negros, orientais e de classe média baixa foram tão bem desenvolvidos que a novela alcançou um sucesso estrondoso.

Tanto que concorre o prêmio internacional Prix Junesse, que reconhece a qualidade de programas infanto-juvenil pelo mundo inteiro.

Como é bom ver a velha indústria do entretenimento sendo dissolvida!

Presenciar o nascimento de uma televisão mais diversificada é uma experiência incrível!

E sim, um tanto quanto acalentadora diante da intolerância atual.

É isso!

Beijos!

 

 

 

 

 

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