Tati Aponte

Afinal, a exposição “A História da Sexualidade” é tão polêmica assim?

Eu me tornei amiga MASP!

Minha carteirinha deve chegar por estes dias, e por ser associada eu poderia ir à noite de pre estreia da exposição que deixou a população paulistana em polvorosa.

Histórias da Sexualidade: Jean-Auguste-Dominique Ingres (Foto: Divulgação/MASP)

Todos os dias o MASP vem recebendo centenas de visitantes para conferir a exposição ” A História da Sexualidade“.

Mas afinal, a exposição tem mesmo a capacidade de gerar tanta polêmica assim?

Da exposição

Então, muita gente pensa que uma exposição nasce assim, do nada.

Como se os curadores sentassem e decidissem “ah, vamos fazer uma exposição sobre isso, sobre aquilo” e ponto, tá feito!

Pegam uns quadros ali, outros acolá e voilá, nasceu a exposição.

Nada a ver!

Histórias da Sexualidade: Edgar Degas (Foto: Divulgação/MASP)

Pra se ter uma ideia a exposição ” A História da Sexualidade” estava sendo preparada há 2 anos pelo Museu e faz parte da programação anual no MASP totalmente dedicada às histórias da sexualidade.

Aquela exposição do Toulouse Lautrec que estava em cartaz em junho de 2017 tinha tudo a ver com esta programação do museu!

E vocês acham que trazer quadros de outros países para expor no Brasil é fácil e de graça?

Considerados produtos importados, estes quadros sofrem a incidência de impostos para entrarem aqui e, muitas vezes, se torna inviável realizar a exposição.

O valor é ridículo de caro, gente!

São esforços e mais esforços que o pessoal da arte faz para que uma exposição de qualidade aconteça aqui no Brasil.

A mostra divide três andares do museu e apenas o segundo andar possui a entrada restringida para menores de 18 anos.

A exposição choca? Algumas obras sim! Outras, não! É tudo bem dosado.

A escultura que mais mexeu comigo foi uma bailarina de bronze.

Histórias da Sexualidade: Ana Mendieta (Foto: Divulgação/MASP)

Não há nada que mostre o corpo da menina, é apenas uma bailarina com seus trajes e sapatilhas, sem nenhuma conotação sexual.

Mas tem uma explicação muito muito forte para ela ter sido feita, e foi isso que me deixou reflexiva.

Sem spolier, vá lá ver do que estou falando…

No geral, eu adorei a exposição e recomendo vivamente!

Como eu entendo o que está acontecendo

No meu entendimento, o que gera polêmica não são os quadros, fotos e entrevistas que compõe a exposição em si.

O que provoca a discussão é quando pessoas aleatórias, motivadas por suas verdades, resolvem interferir no que eu posso ou não posso ver, porque ele “sabe” o que é bom ou mau pra mim, meus amigos e familiares.

Por que foi isso que aconteceu, né?

Para evitar que radicais jogassem fogo no MASP, os organizadores decidiram impedir que menores de 18 anos, ainda que acompanhado com seus pais ou responsáveis, fossem ver a exposição.

Em tempo, NÃO foi uma determinação judicial que obrigou o MASP a agir desta maneira, foi a instituição que quis evitar o pior (em termos de vandalismo) e por isso restringiu a entrada de menores de idade no segundo andar do museu.

 E isso é muitoooo grave, pois ninguém e nenhum local deveria evitar alguma coisa por MEDO, né?

Se você não quer ver uma exposição, ler um livro ou ver um filme, não vá!

Você tem todo direito do mundo pra isso!

Mas se eu quero ver e quero que meus familiares também vejam e frequentem um local feito especialmente pra isso, ninguém deve me impedir de faze-lo.

Nós crescemos em uma sociedade livre, gente.

Não vamos deixar que ela escape de nossas mãos, a liberdade é o bem mais precioso que temos

Achei pertinente falar um pouco disso pra vocês!

Ativismo e Guerilla Girls

No primeiro subsolo da exposição está o núcleo Ativismo e Políticas do Corpo.

Lá eu pude tirar fotos (porque no segundo andar é proibido), e foi uma parte que eu gostei muito.

Já conhecia o trabalho da Guerrilla Girls por “cima”, mas na exposição entendemos melhor como estas mulheres lutam para aumentar a representatividade feminina no mundo das artes.

É muito interessante! Muito mesmo!

Não percam, pessoal!

 


HISTÓRIAS DA SEXUALIDADE
Período:
20.10.2017 a 14.2.2018

A classificação etária de Histórias da Sexualidade é de 18 anos. Desta forma, de acordo com a regulamentação vigente, é restritiva para menores de idade, mesmo com autorização ou acompanhamento de responsável. 

 

 

 

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