Tati Aponte

“Na minha época não era assim!”. O que aprender com a Geração Z?

Suponho que a primeira vez que falei esta frase tenha sido há um ano, quando eu comecei a trabalhar em uma startup recheada de jovens da Geração Z.

A minha intenção ali era trabalhar no que eu gosto e “de quebra” ajudar a empresa, postura que eu já acho BEM disruptiva, pois conheço muitas pessoas que trabalham pela necessidade, pelo dinheiro, pelo status, mas não por gostar do que fazem.

No entanto, eu e a minha forma de pensar que fomos modificadas!

Peço licença para falar um pouco da minha família, tá?

Há poucos adolescentes e adultos jovens na minha família, e para meu lamento, eles são extremamente apegados ao passado e muito antigos. Então, existe uma lacuna de pessoas na faixa dos 18 aos 28 anos que afastou de mim o debate mais próximo das questões políticas e sociais do mundo neste tempo que compreende uma década!

E como as coisas mudam em 10 anos, não?

Se nós pararmos para refletir atentamente, foram nos últimos 10 (dez) anos que as maiores revoltas contemporâneas aconteceram no mundo, tais como: Primavera Árabe (Tunísia, Marrocos, Egito, Bahrein, Jordânia | 2011 ), Occupy Wall Street (Estados Unidos | 2011), Os Indignados de Madri ( Espanha | 2011), Revolta dos 20 Centavos (Brasil | 2013), Copa do Mundo da FIFA (Brasil | 2014), dentre outras.

E o recado dado por este pessoal é muito claro: O MUNDO NÃO PODE CONTINUAR COMO ESTÁ!

Basicamente eles olham nos nossos olhos e dizem: TÁ TUDO ERRADO! APENAS PAREM!

No sentido restrito da narrativa Zoomer (como jocosamente chamam os oriundos da Geração Z, fazendo uma analogia aos Boomers da Geração Baby Boom) pode parecer um histerismo sem propósito, mas não é!

Sustentabilidade, feminismo, consumo consciente, empatia, auto aceitação, não padronização de corpos, acessibilidade, educação para todos, dentre outros assuntos que lá trás pareciam não fazer sentido hoje são os pilares que sustentam e alicerçam todas as crenças desta geração.

A resistência que eles encontram são justamente os que estão no poder, formado pelas gerações mais velhas (em geral os Baby Boomers) que operam as normas econômicas e retém os lucros.

Nós que temos os nossos 30 e poucos anos, crescemos absorvidos dos pés à cabeça pelas ideologias neoliberais que nos ensinaram a ser materialistas, individualistas, egoístas, distantes emocionais e a confundir a todo momento que estas ideologias econômicas poderiam ser aplicadas no nosso dia a dia.

Ora, se você falar de meritocracia para um Zoomer é bem capaz dele rir da sua cara e perguntar como você pode ter acreditado em tal falácia!

Eles sabem que este discurso é a base da brutal desigualdade que existe no mundo e que não basta apenas ter consciência disso, é fundamental sair às ruas e fazer a sua rebelião.

É contra esta injustiça que estes jovens se insurgem – “Enquanto não houver um futuro para todos é provável que as manifestações continuem se alastrando como tem ritmicamente feito”.

Emmas, Malalas, Gretas, Spartakus, estes são apenas alguns nomes dos ícones desta juventude.

E você, acha mesmo que eles não vão mudar o mundo?

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