Tati Aponte

“Eu, Tonya”: a sátira de uma história que causa perplexidade

Margot Robbie é Tonya Haring

A patinação artística era tudo para Tonya Harding (Margot Robbie).

De uma família pobre, Tonya era agredida física e psicologicamente pela sua mãe, LaVona Harding (Allison Janney).

Por isso, Tonya cresceu aceitando a violência com normalidade.

Se sua mãe era agressiva, seu marido, Jeff Gillooly (Sebastian Stan), também a agredia regularmente.

E mesmo vivendo cercada de brutalidade, Tonya tinha muito talento para a patinação.

Mas, apesar de todo seu empenho, a Associação de Patinação a desprezava regularmente.

Tonya não tinha a imagem de uma jovem bonita e delicada, como uma patinadora norte americana deveria ser.

Ela era o oposto de Nancy Kerrigan.

Tonya X Nancy : duas atletas que representam duas facetas dos Estados Unidos.

E protagonistas de uma história que atingiu as manchetes dos jornais algumas semanas antes das Olimpíadas de Inverno de 1994.

Favorita para ir aos Jogos Olímpicos, Nancy tem os joelhos quebrados a golpes de barra de ferro após um atentado que, aparentemente, não tem nenhum sentido.

Caitlin Carver como Nancy Kerrin

Esta história absurda é a matéria prima do filme “Eu, Tonia“, que chega aos cinemas AMANHÃ, dia 15 de fevereiro.

Qual que é a de “Eu, Tonya”?

O diretor Craig Gillespsie contou a história deste escândalo esportivo com muita ironia e sarcasmo.

Acredito que esta tônica foi dada por Gillespsie para suavizar a narrativa da vida difícil e injusta de Tonya Harding.

Como exemplo desta linguagem, em um momento do filme a heroína , com plena consciência do ato brutal que foi cometido, diz com naturalidade:

Eu apanhei a vida toda e ninguém nunca disse nada. Nancy quebra os joelhos e todo mundo fica com dó?“.

Mas a história Tonya, verdade seja dita, diz muito mais que um atentado contra uma colega de equipe.

Fala sobre as injustiças e hipocrisias vendidas pelos Estados Unidos como nação ideal para as histórias de sucesso, mas que, definitivamente, não concede as mesmas chances para todos seus cidadãos.

Assistir ou não assistir “Eu, Tonya?

Margot Robbie é Tonya Haring

Se este escândalo dos anos 90 já é um fato curiosíssimo para assistir, a atuação das atrizes Margot Robbie  e de Allisson Janney vale a ida ao cinema!

Ambas estão indicadas ao Oscar, respectivamente, nas categorias de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante  e suas atuações justificam estas nomeações.

Margot e Allisson estão impecáveis.

E se as atuações são boas, a história contada por Gillespsie foi estruturada de maneira engenhosa.

Allison Janney é LaVona Harding

As constantes quebras da “quarta parede” – quando os atores conversam com o espectador – foram inteligentemente utilizadas colaboram com o clima de humor politicamente incorreto do filme.

Eu recomendo “Eu, Tonya“!

Adorei o que assisti!

Espero que vocês gostem também!

Beijos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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