Tati Aponte

“Cora Coralina, Todas As Vidas” é um alento feminista

Dia 14 de dezembro chega aos cinemas o documentário “Cora Coralina – Todas as Vidas“, dirigido por Renato Barbieri.

A obra, então, narra a história de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas, mais conhecida pela alcunha de Cora Coralina – a menina feia da Casa da Ponte.

O filme foi livremente inspirado no livro “Cora Coralina – Raízes de Aninha” e tem o intuito de mostrar a mulher Anna Lins e não a famosa escritora Cora Coralina.

Aninha para alguns

Cora, ou melhor, Anna nasceu em 1889 e faleceu em 1985 com 95 anos.

Era a filha mais nova de 4 irmãs.

Em um de seus poemas mais famosos, “Minha Infância“, ela dizia que sempre ocupou o pior lugar dentre as outras irmãs, que foram mimadas e lindas, sendo ela a mais feia e mais maltratada.

Bom, Aninha vinha de uma família de mulheres que sabiam ler e escrever e, por isso, adquiriu o saudável hábito da leitura.

Convenhamos que saber ler e escrever no interior de Goiás, num Brasil completamente rural, machista e ignorante e tinha muito valor.

E assim, apaixonada por livros, começou a escrever poemas e contos todas as noites em seu quarto.

Num ímpeto, juntou tudo que havia escrito e encaminhou para um jornal de grande circulação.

Talvez, inconsciente, Aninha soubesse que tinha uma arma muito poderosa, capaz de transformar a sua própria realidade.Como de fato, mudou.

Cora Coralina para todo o resto

No meu entender, a passagem mais bonita do filme é como ela buscou o nome Cora Coralina para se apresentar.

Definitivamente, Cora não era mulher como as outras, ela queria viver de acordo com a sua verdade e assumiu todos os riscos para isso.

Ao conhecer seu marido, o divorciado e advogado Cantídio Tolentino Bretas, em uma das reuniões do Clube Literário Goiano, apaixonou-se e foi embora com ele, grávida de um de seus 6 filhos, para São Paulo.

Como já disse, Cora não era uma mulher como as outras…

A partir de então, conhecemos melhor sobre a mulher que, após a morte do marido, passou a trabalhar para sustentar os filhos, deixando um pouco de lado a parte artística que tanto gostava.

Vendeu livros de porta em porta, vendeu doces, e apenas escreveu seu primeiro livro aos 75 anos.

Cora Coralina teve uma vida muito árdua, mas muito linda.

Eu gostei muito de conhecê-la melhor.

Dia 14 de dezembro podem conferir o que estou falando, certamente quem tem sensibilidade não irá se arrepender.

 

 

Os comentários estão fechados.

Posts relacionados