Tati Aponte

Em “Concerto Para João” os limites físicos não foram suficientes para interromper o sonho do Maestro

Eu conheci melhor a história do maestro João Carlos Martins no ano passado, quando saiu o longa-metragem “João, o Maestro“.

Sabia quem ele era, pois seu nome sempre foi muito forte na classe artística paulistana (e nacional, também).

Mas admito que não sabia muito da vida do artista, tampouco da atrofia que ele tinha nas mãos, da lesão muscular no braço e uma lesão neurológica que insistiam em retirá-lo dos palcos.

O filme introduziu-me à sua vida e foi muito bem produzido, irretocável!

Mas daí decidiram encenar a história do Maestro no teatro.

O desafio seria descolar a trama teatral da narrativa do filme.

E o resultado alcançado foi positivo e muito feliz!

Conseguem imaginar? Mais de 20 cirurgias em apenas uma parte do corpo?

Assim como no filme, a peça traz como protagonista o ator Rodrigo Pandolfo.

Mas o texto tem um mote fantasioso e, por isso, é diferente do longa:

João Carlos está em recuperação de uma das cirurgias que fez na mão e, também, em vigília, enquanto os médicos operam seu cérebro.

Por conta da sedação os sonhos, alucinações, delírios e devaneios fazem que o Maestro reviva fatos de sua própria vida.

A abertura do texto para o fantástico permite que a platéia encontre o lado vulnerável do Maestro.

Sua angústia em ver a mobilidade de suas mãos deteriorar-se e não poder fazer nada para impedir esta situação traz uma carga enorme de humanidade à peça.

E a sensação de participar de um momento tão profundo da vida do artista que faz a experiência ser muito diferente da que experimentamos vendo o filme.

A entrega de Pandolfo

É impossível não destacar o intérprete do papel principal: Rodrigo Pandolfo.

Por isso eu dedicarei este espaço só para ele.

Não estou desmerecendo os demais atores, pois TODOS fazem um trabalho incrível durante o espetáculo.

Duda Mamberti é o médico de João Carlos, Michelle Boesche condensa em apenas uma mulher todas as que foram presentes na vida do Maestro e Ando Camargo um senhor que conversa com João em alguns momentos da peça.

Mas Rodrigo impressiona pela sua qualidade interpretativa, pelo domínio em cena e por imprimir a dimensão psicológica exata do Maestro nas cenas mais delicadas.

Por fim, ressalto o olhar único do diretor Cássio Scapin e o texto bem coeso de Sergio Roveri.

Devo assistir a “Concerto para João”?

Sim!

O público paulistano não pode privar-se de ver uma peça tão intensa como “Concerto para João“!

E se tiverem a sorte que EU tive, podem assistir a peça e ao final ver uma apresentação do próprio João Carlos Martins no palco do Teatro FAAP. (tocando, não regendo)!

Esta experiência é uma das mais incríveis que os admiradores da boa arte podem ter!

Beijos!

*colaboração de Beatriz Pessoa


Texto: Sérgio Roveri

Direção: Cassio Scapin

Elenco: Rodrigo Pandolfo, Michelle Boesche, Ando Camargo e Duda Mamberti.

Sextas e sábados às 21h. Domingos às 18h.

Ingressos:  R$75 (inteira), R$37,50 (meia-entrada)

Classificação: Livre

Duração: 80 minutos

Bilheteria do Teatroquarta a sábado das 14h às 20h e domingo das 14h às 17h. Em dias de espetáculos até o início dos mesmos.
Televendas: 11 3662-7233 / 7234

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Concerto Para João
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1 Comentário:Em “Concerto Para João” os limites físicos não foram suficientes para interromper o sonho do Maestro
  1. sérgio roveri

    Tati, adorei a sua crítica. Muito obrigado pelo carinho e paixão com que você escreveu sobre a peça.