Tati Aponte

“Céus” é uma peça genial e aborda de maneira engenhosa os problemas do mundo moderno

Quando eu li o release da peça “Céus“, que ficará em cartaz no Teatro Vivo até o dia 10 de dezembro, eu fiquei bem curiosa.

Isto porque o autor da peça, Wajdi Mouawad, é um dos maiores dramaturgos da cena contemporânea internacional.

Com sua maneira particular de enxergar o mundo, ele obteve o reconhecimento das mais respeitadas classes teatrais e recebeu muitos prêmios por suas peças extraordinárias e originais.

Portanto, eu estava convicta de que a peça seria maravilhosa.

E, de fato, não me decepcionei em nada!

Foto: Leo Aversa

O terrorismo que vai além das questões religiosas

Céus” é a peça que encerra a tetralogiaSangue de Promessas”, composta pelas peças “Litoral“, “Florestas” e “Incêndios”.

A única peça que foi encenada aqui no Brasil foi “Incêndios”, que também foi dirigida pelo incrível Aderbal Freire-Filho e produzida pelo também ator da peça Felipe de Carolis.

Logicamente, produtor e diretor repetiram a parceria em “Céus“, que tem todos os predicados para ser tão ou mais premiada que a peça anterior.

Pois bem.

Céus” narra a história de cinco especialistas de inteligência e segurança que tentam descobrir aonde e quando acontecerá um atentado terrorista, no esforço de impedir que este se realize.

Fechados em uma espécie de bunker eles vão seguindo as pistas que estão monitorando por meses, ao mesmo tempo que tentam lidar com o suicídio repentino de um antigo companheiro.

E assim, assuntos que são muito atuais, como o terror e o mundo contemporâneo, são abordado em cima do palco.

Foto: Blog Cultura / Estadão

No decorrer da peça, saímos do pensamento comum e atrasado de que o terrorismo atual tem raízes apenas em questões religiosas e novas perspectivas nos são apresentadas.

Insatisfação, Guerra, Falta de Esperança no Futuro, Modelo Econômico Excludente

As mensagens interceptadas mostram que a grande parte dos terroristas atuais são jovens que estão extremamente insatisfeitos com um mundo que insiste em os castigar.

Após receberem uma civilização construída por interesses que não são seus, a juventude ainda vê guerras – motivadas por estes interesses – os destruírem, tanto no exército que os recruta como, indiretamente, nas rupturas de gerações.

Inteligente, a peça é um programaço pra quem está em São Paulo

Geralmente eu destaco aqui porque ir ou não ir à peça de que estou escrevendo, mas desta vez não farei isso.

Isto porque eu só vejo qualidades em “Céus“, embora reconheça que ela exige uma reflexão acima da média do público que a assistir.

Por fim, com a onda de intolerância política e islamofobia crescendo exponencialmente, a peça consegue demonstrar que reduzir o terror a religiões ou discussões direita x esquerda é tão ignorante e violento quanto um atentando contra civis inocentes.

Vale muito a pena de assistir!


CÉUS

Felipe de Carolis, Rodrigo Pandolfo, Marco Antonio Pâmio, Karen Coelho & Isaac Bernat

De Wajdi Mouawad

Direção Aderbal Freire-Filho

Teatro VIVO (274 lugares)

Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 (antigo 860) – Morumbi
Informações: 3279.1520 e 97420.1520

Bilheteria: de terça a domingo, a partir das 14h. Aceita todos os cartões de crédito e débito. Acessibilidade: 6 lugares para cadeirantes, 2 lugares para mobilidade restrita e 2 cadeiras para obesos. Vallet: R$ 25.
Facebook: facebook.com/vivoencena – Instagram: @vivoencena

Vendas: www.ingressorapido.com.br e 4003.1212 

Sexta às 20h | Sábado às 21h | Domingo às 18h

Ingressos:

Sexta R$ 50 | Sábado e Domingo R$ 60

Duração: 110 minutos

Recomendação: 14 anos

Estreou dia 27 de Outubro de 2017

Temporada: até 10 de Dezembro

 

 

 

Deixe seu comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posts relacionados