Tati Aponte

O público decide o fim da peça em ” A Noite de 16 de Janeiro”

Jô Soares em ” A Noite de 16 de Janeiro”
Foto: Divulgação

Foi o fato de Jô Soares dirigir e atuar em “A Noite de 16 de Janeiro” que me levou a assistir esta peça.

Não estou aqui desmerecendo o  restante dos atores do espetáculo, pelo amor de Deus!

Muito pelo contrário, a peça contém um elenco muito equilibrado, composto por jovens e experientes atores com uma força interpretativa elogiável.

Mas a verdade é que eu morria de vontade de ver o no teatro, gente!

Então, lá fui eu assistir a peça escrita em 1933 pela filósofa, roteirista e romancista Ayn Rand (1905-1982).

Do que se trata “A Noite de 16 de Janeiro”?

A Noite de 16 de Janeiro” é um peça que se passa integralmente dentro de um tribunal.

Andrea Karen (Guta Ruiz) está sendo acusada pela morte do empresário Bjorn Faulkner, de quem foi secretária e amante por 10 longos anos.

O advogado de Andrea K., o dr. Mark Stevens (Cássio Scapin) tenta provar que a moça é inocente e sustenta que Bjorn se suicidou.

Já o promotor de justiça Jonas Flint (Marco Antônio Pâmio) esta convencido do envolvimento de Andrea K. na morte do empresário e quer sua condenação.

Cássio Scapin, Jô Soares e Marco Antônio Pâmio em “A Noite de 16 de Janeiro”.
Foto: Divulgação

As testemunhas de acusação e defesa (legista, vigia noturno, detetive, governanta, esposa, sogro, perito,etc.) dão suas versões sobre:

  • o crime;
  • Bjorn Faulner;
  • Andrea Karen e;
  • a relação imoral que existia entre ambos.

A “cereja do bolo” da peça é o Júri.

Composto por 12 pessoas (convidados ou gente da plateia), são estes que decidirão se Andrea K. é culpada ou inocente.

Em razão da escolha do júri, a peça conta com dois finais alternativos.

Culpada ou Inocente?

Antes de tentar responder esta questão, eu quero falar sobre a atemporalidade do texto.

Assim como na vida real, absolutamente ninguém nesse espetáculo é só bom ou só mau.

Guta Ruiz, Jô Soares e Erica Montanheiro em “A Noite de 16 de Janeiro”
Foto: Divulgação

A todo momento estamos diante de personagens que mostram o homem tal como ele é:

Um ser capaz de ações questionáveis para defender suas vantagens, seu estilo de vida e suas verdades.

E quando uma montagem consegue levar para o palco esta natureza humana antagônica é o que, para mim, se define como BOM um texto de teatro.

Mais que decidir se Andrea K. é culpada ou inocente, a peça provoca um debate de ordem moral que atravessa os anos, as escolhas, os países e os governos.

É impossível assistir a “A Noite de 16 de Janeiro” e não identificar a crise política, jurídica e moral que vivemos em nosso país.

E, também, a nós mesmos diante das  escolhas e dos desafios da vida.

Aos amigos tudo! Aos inimigos, a lei!

A montagem

O profissionalismo dos atores na peça é algo lindo de se ver.

Todo elenco possui uma inteligência cênica primorosa e dominam com segurança os personagens que estão fazendo.

Se você está estudando teatro ou quer ser ator, recomendo fortemente que assista a este espetáculo, pois nele se encontram todos os requisitos que um bom ator deve ter:

Domínio de cena, boa impostação de voz, compreensão universal do texto, bom vocabulário, poder de síntese e muita preparação física.

quem diga que ser ator é fácil

Não sabe de nada!

Vale muito a pena! Assistam!


A NOITE DE 16 DE JANEIRO

Teatro Tuca (672 lugares)

Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes

Informações: 3670.8455

Direção: Jô Soares

Elenco: Cassio Scapin, Erica Montanheiro, Felipe Palhares, Giovani Tozi, Guta Ruiz, Jô Soares, Luciano Schwab, Kiko Bertholini, Marco Antônio Pâmio, Mariana Melgaço, Milton Levy, Nicolas Trevijano, Norival Rizzo, Paulo Marcos, Ricardo Gelli e Tuna Dwek

Ficha técnica aqui

 

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A Noite de 16 de Janeiro
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