Tati Aponte

A importância de levar seus filhos ao teatro

Domingo, dia 4 de março de 2018, foi divulgada a notícia da morte da atriz Tônia Carrero.

Ainda que eu reconheça toda a importância de Tônia na história cultural brasileira, a passagem da atriz me provocou outra reflexão.

E e é este raciocínio que eu quero dividir com vocês.


Considerada um dos ícones da televisão brasileira, a atriz Tônia Carrero faleceu no Rio de Janeiro – Arquivo – Jornal do Comércio

Quando eu tinha 9 anos de idade eu assisti a uma peça que tinha Tônia Carrero no elenco.

E a pessoa que me levou para vê-la foi meu pai.

Antes do terceiro sinal, ele alertou: “Ela é umas das maiores atrizes brasileiras “.

Terceiro sinal tocou, as luzes apagaram, a cortina subiu e ali, na minha frente, eu vi aquela mulher em cena.

Se me perguntarem do que se tratava a peça, eu respondo: “Não sei”.

E, sejamos honestos, naquele momento eu sequer sabia do peso de Tônia Carrero na cena artística nacional.

Mas o mais importante já havia acontecido.

O simples fato do meu pai ter me levado para vê-la já tinha um valor imensurável.

Ele, intuitivamente, sabia que aquela experiência seria boa pra mim.

E isso eu não esqueceria jamais.

O incentivo à cultura dentro de casa

Quando falamos em cultura brasileira, algumas pessoas “torcem o nariz” para as produções nacionais.

A falta de identidade de alguns setores da população com o que é produzido causa calafrios em quem trabalha neste segmento.

E ainda que a nossa produção cultural esteja em sua melhor fase, os números continuam decepcionando o setor.

Mas por que isto acontece?

Porque o grande nó da cultura brasileira está na formação educacional do povo.

O desconhecimento da nossa própria cultura afasta o público dos teatros, e isso, obviamente, não é bom.

Gerações mais maduras frequentemente apontam o declínio do ensino no Brasil como assustador.

E esta queixa se dá em várias esferas, inclusive naquela parcela da população mais “privilegiada”, que sempre teve acesso a boas escolas e recursos financeiros.

Mas o que menos se vê são movimentos vindos de dentro casa alterando esta realidade.

Pais que preferem levar os filhos ao shopping, à Disney, aos resorts caros não vão conseguir passar àquela criança a importância da cultura para ela e para a sociedade.

Vivemos em uma época que, em muitos casos, sequer os pais conseguem entender esta importância.

Peter Pan e a leitura que vai além do óbvio

Cena do musical “Peter Pan na Brodway”

Ontem, ao ver Peter Pan na Brodway no teatro Alfa, uma coisa me chamou atenção.

Na história, Peter Pan resolve aparecer na casa de Wendy porque ela lia histórias todas as noites para seus irmãos.

Peter queria saber como acabava aquele conto, afinal na Terra do Nunca não existiam livros, nem mãe, nem família.

Apenas esta passagem já diz muito sobre a própria sociedade inglesa, onde ler histórias para crianças é hábito muito comum, além de reforçar os valores familiares.

Hoje, talvez, esta prática seja bem diferente na sociedade inglesa, porque os costumes foram mudando ao longo do tempo, mas não deixa de ser interessante de observá-la.

No Brasil…

Como vivemos num país onde os incentivos educacionais por parte do governo são difíceis, por que não tomar a dianteira da situação da sua família?

Quem sai aos seus não degenera, não é? Este ditado antigo que mostra uma convicção otimista em relação às origens também pode ser visto por outra perspectiva.

Como diria Mario Sergio Cortella:  “olhando algumas famílias, talvez fosse possível dizer que quem sai aos seus não REGENERA“.

Qual provérbio te define?

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