Tati Aponte

A Biblioteca mais antiga de São Paulo fica no Mosteiro de São Bento, sabia?

Em maio deste ano eu vi uma reportagem compartilhada pelo jornalista Matthew Shirts e fiquei muiiito curiosa. A matéria falava sobre a biblioteca mais antiga de São Paulo.

Eu não fazia a MENOR ideia onde ela poderia ficar.

Por intuição, imaginei que ficaria no centro de São Paulo, é claro, já cidade foi fundada lá no Pátio do Colégio, mas fora isso, onde ficaria tal Biblioteca?

Eu estava prestes a descobrir que São Paulo guarda um tesouro que contém parte dos maiores ensinamentos da humanidade e eu nem sabia…

Mosteiro de São Bento abriga a biblioteca há 418 anos

A  bíblia de Lutero é um dos livros mais importantes guardado pelos monges do Mosteiro de São Bento, em São Paulo – foto: Junior Lago/Uol

Os monges do Mosteiro de São Bento começaram a reunir os primeiros títulos da biblioteca em 1598.

Desde então possuem mais de 115 mil livros reunidos em uma edificação que deixa qualquer amante de literatura com os olhos cheios de lágrimas.

Estes vários livros, no entanto, só podem ser consultados pelos próprios monges do Mosteiro e pelos alunos da Faculdade São Bento. 

É, nós não temos esta sorte, pessoal… (também fiquei triste quando soube disso).

Já o acesso à Biblioteca é mais exclusivo ainda, apenas os 40 monges que vivem no Mosteiro é que podem entrar lá.

Parece ou não parece coisa do filme “Em Nome da Rosa” do Umberto Eco?

Quando eu soube disso me senti na Idade Média, quando apenas a Igreja detinha o conhecimento e o povo ficava entregue à sua própria sorte.

Uma pena que este tesouro seja privado das mentes ávidas por conhecimento, não é?

Os livros que foram censurados pela Igreja e que estão no Mosteiro de São Bento

Outra raridade que está no Mosteiro de São Bento é que, dentre os 100 mil títulos da biblioteca, estão vários livros que foram proibidos pela Igreja Católica.

São as obras que constaram do famigerado index, aquela lista de livros proibidos pelo Vaticano e que vigorou até 1966.

Em matéria feita para a jornalista Renata Nogueira, do portal UOL em 02/08/2016, o monge bibliotecário Dom João Baptista explicou que esses livros sempre estiveram presentes nas bibliotecas, inclusive as monásticas.

A biblioteca do Mosteiro de São Bento, em São Paulo, também tem um exemplar datado de 1607 que reúne os tratados escritos pelo filósofo grego Aristóteles nos idiomas grego e latim – foto: Junior Lago/Uol

Os títulos apenas ficavam longe do alcance de uma interpretação equivocada da massa.

A pedido de jornalistas, Baptista destacou algumas dessas obras que existem no acervo do mosteiro (os comentários são dele):

  • Steganographia, 1676 de Johannes Trithemius: Trata-se de uma curiosa obra que trata da ocultação de mensagens e dialoga com escritos esotéricos e códigos, algo como telepatia e hipnotismo na nomenclatura da atualidade. Esta é a obra mais importante do autor e também a mais controversa. Trithemius foi monge beneditino, abade de Sponheim. A obra foi escrita por volta de 1500, mas apenas impressa um século depois. Ao ser impressa já foi incluída no index pelo decreto de 7 de setembro de 1609.
  • Primeira tradução da Bíblia para o alemão, feita por Martinho Lutero: Trata-se de uma edição luxuosa em couro e metal de 1656. A Igreja não permitia a tradução da bíblia, que só podia ser utilizada na versão latina chamada de Vulgata, feita por São Jerônimo.
  • Edições de O Príncipe de autoria de Maquiavel – todas do século 19.
  • Alguns volumes da Encyclopédie de Diderot, século 19. Algumas dessas escritas também por Voltaire e Montesquieu.
  • Edição do século 19 Du Contrat Social, de Rousseau.
  • Sermões do Mestre Eckhart, dominicano alemão do século 14. Algumas de suas ideias foram condenadas pelo tribunal da inquisição. As obras no mosteiro estão em alemão e francês e são todas do século 20.

Mais uma curiosidade

O bandeirante Fernão Dias Paes Leme, também conhecido como o “caçador de esmeraldas” administrou ampliação do Mosteiro de São Bento em 1650.

A ajuda financeira dada pelo bandeirante promoveu a reconciliação entre paulistas e jesuítas, que até então não “falavam a mesma língua”.

Isto porque Fernão Dias defendeu a expulsão dos jesuítas, que eram contra a escravização dos índios, impedindo assim o avanço das bandeiras pelo interior do país.

Estátua de Fernão Dias Paes Leme, exposta no Museu Paulista

A ampliação do Mosteiro de São Bento foi a contrapartida dada pelo bandeirante para estabelecer a paz entre as classes políticas e religiosas.

Como ajudou na reconstrução do Mosteiro, que desde 1598 já era utilizado como abrigo dos primeiros monges beneditinos de São Paulo, Fernão Dias obteve o privilégio de após a sua morte ser sepultado na capela-mor da igreja do mosteiro, assim como seus parentes e descendentes.

Até hoje seus restos mortais repousam na cripta da igreja.

 

Confira, abaixo, a galeria de fotos da Biblioteca do Mosteiro de São Bento:

 

 

 

 

 

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Fontes:

Revista Prosa Verso E Arte

Uol Entretenimento | Estadão São Paulo | São Paulo-Infoco

Saiba mais sobre a biblioteca
Biblioteca do Mosteiro de São Bento de São Paulo

 

 

 

 

 

 

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